Criar expectativa
É financiar felicidade
Da mudança
Tempo de mudança é quando o conforto dos velhos cômodos dá lugar ao tédio. Sei que meu status de ocioso não me dá créditos para conclusões do tipo, mas essa casa já teve lá sua graça. Posso me lembrar de como foi dinâmica durante a minha infância. Recordo-me de como era prazeroso descobrir uma gaveta de fotografias em preto e branco, uma porta falsa com vinis ou revistas antigas no alto do guarda roupa à medida que os anos me concediam os generosos centímetros. Mas as paredes da minha casa não (mais) falam. Ainda que todas as paredes falassem – repito – ainda que todas as paredes feitas de tijolo, cimento e massa corrida pudessem falar – as da minha casa continuariam (hoje) mudas.
Não há mais no meu quarto o suspense dos espíritos dentre os cabides, tampouco os mistérios inerentes aos olhares dos porta-retratos; e o velho criado-mudo de madeira maciça do interior – que há tanto tempo sustentou sobre si as palavras inquietas dos romances que ali ficavam – sustenta hoje apenas mil e duzentos gramas de papel impresso nos livros de cabeceira. Hoje minha cama é uma cama; não mais um abrigo.
Os anos não são generosos com o encantamento humano. Enjoamo-nos com facilidade das pessoas, dos lugares, e a distância se faz necessária para que ocorra um (re)encontro espirituoso.
Tempo de mudança é quando o conforto dá lugar ao tédio. Vou me mudar.
Não há mais no meu quarto o suspense dos espíritos dentre os cabides, tampouco os mistérios inerentes aos olhares dos porta-retratos; e o velho criado-mudo de madeira maciça do interior – que há tanto tempo sustentou sobre si as palavras inquietas dos romances que ali ficavam – sustenta hoje apenas mil e duzentos gramas de papel impresso nos livros de cabeceira. Hoje minha cama é uma cama; não mais um abrigo.
Os anos não são generosos com o encantamento humano. Enjoamo-nos com facilidade das pessoas, dos lugares, e a distância se faz necessária para que ocorra um (re)encontro espirituoso.
Tempo de mudança é quando o conforto dá lugar ao tédio. Vou me mudar.
Sobre o teu Origami
Hoje vou personificar papéis. Não os papéis que incorporamos nas cenas de mãos dadas, nas peças de discussão ou nos monólogos de desabafo; já não somos mais personagens.
Falo dos papéis dobráveis; do sulfite ao couché. Porque olhando pra eles, lembro de mim. Lembro de como fui (des)dobrado em metade.
Mas voltemos aos papéis. Repare que nunca nos damos por satisfeitos quando os dobramos apenas uma vez; apenas em duas partes, apenas iguais. E então dobramos de novo, buscando facilitar o manuseio ou criar alguma figura sugerida pelo ócio.
Ocorre que (assim) você me dobrou e antes que eu percebesse meu status de metade, você amassou a ponta esquerda e dobrou (de novo) minha situação. Dobrou a ausência em carência, a razão em paixão e dobrou em dúvida o que eu tinha de certeza. Nada pensado. Era confortante medir os nossos lados & amassar com os dedos os motivos e (contra)tempos.
____Num repente, acordei marcado.
Me desdobrei antes que rasgasse.
(à)vontade
Ando bem. E não é porque consegui não exigir justificativas p'ro teu silêncio mal falado em meio ao eco das minhas respostas; eu já não existo mais. Ando leve. E não é porque trocarei hoje o café filtrado de saudade, pela cerveja brindada e graduada por goles ácidos de motivos; eu já não existo mais. Ando certo. E não é porque quis hoje coerência sobre significados de início e fim enquanto dialogávamos sobre o meio; eu já não existo mais. Ando dormindo. E não é por ter sido hoje acordado pela chuva que conseguiu apagar o que havia de rastro & cansaço & conquista; eu já não existo mais. Ando livre. E não é por ter conseguido superar o sentido de existência quando ouvi seu 'não' bem_dito, que de grito, acordou minha razão; eu já não existo mais.
Ando assim (só) porque hoje choveu quando estive com você e, quando (em tempo) já não estava mais ao seu lado, o sol apareceu.
Ando novo, e isso é bom.
Ando novo, e isso é bom.
(des)vontade
Não ando bem. E não é pelo refrão da musica-tema que tocou alto hoje no meu ouvido remetendo sentimentos triviais de semanas atrás; você já não existe mais. Não ando calmo. E não é pela sua foto que acabo de ver encenando teu cheiro de nuca & cabelo de fim de tarde; você já não existe mais. Não ando leve. E não é pelas mensagens que ainda guardo cuspindo a saudade do sossego depois de beijo & abraço diário; você já não existe mais. Não ando certo. E não é por causa dos devaneios de hoje que ainda repetem distraidamente as mesmas figuras de quatro semanas passadas; você já não existe mais. Não ando dormindo. E não é pelo 'não' mal __ dito que veio no lugar do 'sim'; você já não existe mais.
Ando assim (só) porque as palavras que tão contando uma estória de dois, em vez de sairem, como de costume, num romance encadernado de folhas amarelas, tão aqui rindo de lado em forma de crônica.
Longe
O tamanho da distância
ou a força da ausência
no amor, leva saudade
na paixão, abstinência.
__
ou a força da ausência
no amor, leva saudade
na paixão, abstinência.
__
Da(qui)
Não deixo na mão do tempo
que ele sempre levou tudo
e de sempre, levou tanto
que de noite nem eu sei
se me deito ou me levanto.
que ele sempre levou tudo
e de sempre, levou tanto
que de noite nem eu sei
se me deito ou me levanto.
Até queria,
abrir o cadeado
cuspir tudo o que eu penso
num discurso de um só trago.
____________
Por excesso
de bom senso
te poupo do estrago.
cuspir tudo o que eu penso
num discurso de um só trago.
____________
Por excesso
de bom senso
te poupo do estrago.
Do nada
De repente, qualquer coisa que eu poderia escrever foi dita antes por você. Pulamos no rio, nadamos até a mesma margem e você chegou primeiro. E de repente, me senti bem com isso; não com essa coisa de chegar em segundo, mas de ter você na minha frente.
.
.
Da atitude
Eu vou com a calma
Que não é natural da idade
É bem mania da alma
Confundir atitude com ansiedade.
Do presente
Me perco na rotina. Cinco sentidos não bastam e a sinestesia não é para todos. Tenho a mania de tomar para mim toda indireta que aparece pela frente quando algo não está claro. Como quem coleta pistas pra entender o passado ou descobrir o futuro. Como se não houvesse verso de amor, frase de liberdade ou música de saudade que não fosse feita especialmente para (re)afirmar a (in)certeza do tempo de agora. E hoje não há estrofe do Pessoa ou conclusão da Clarice que não tenha sido escrita por mim.
Amor, liberdade e certeza; a vida se apega às coisas das quais ela menos dispõe no momento. Minha fonte de certeza é o ponteiro do relógio e meu futuro ainda não saiu do calendário. O resto, não passa de possibilidades. Atribuo possibilidades às esquinas e aos gestos. Tenho dez verbos pra cada palavra sua e vou morrer sem saber em qual deles morou o beijo. Tenho dez cores pra cada humor seu e vou morrer sem entender se é melhor te ver roxa ou verde malaquita. Crer na possibilidade é apostar na felicidade com um bilhete a mais na mão.
O meu presente é duvidoso; tem as aspas do passado e as reticências do futuro.
Do silêncio
O silêncio é a malícia que não foi compartilhada. É o vácuo do diálogo. Quem não fala esconde; quem esconde, entende; quem entende, não atende. Meu silêncio não basta. Não deveria bastar; pra ninguém! Aceitar o silêncio é inocência. Partilhar dele é corvardia. Um pensamento não compartilhado acumula mais palavras que um discurso. A maior prova da injustiça desse fôlego economizado é que nenhuma resposta é válida se não for dita. O silêncio é a preguiça da fala.
Ando quieto demais, fiquei com remorso e precisei escrever.
Do lado de dentro
Meu peito é oco. Tenho o costume de andar com o coração na boca. Por isso nunca tenho palavras. Posso, no máximo, emprestá-las de você. Todas as palavras são suas e eu só pronuncio. Nunca em voz alta pois o amor tem o sono leve; ele não dorme, só sonha.
-
À procura do coração,
A razão bateu na porta do peito.
O coração não estava, pois subiu pra boca.
Então, a razão também subiu
Mas na boca não havia espaço pra ela.
A razão quis entrar, gritou alto.
O amor acordou,
O coração saiu.
E então discutiram e brigaram.
A boca, que já não sabia mais o que dizer, também brigou, pois haviam roubado suas palavras
Acabaram acusando o amor de tal crime.
Ele se defendeu - dizendo:
- As palavras saíram todas abraçadas, umas com as outras, em forma de estrofes.
Saíram todos à procura das palavras
Mas no meio do caminho,
O amor voltou a sonhar,
O coração voltou pra boca
E a razão se perdeu.
.
-
À procura do coração,
A razão bateu na porta do peito.
O coração não estava, pois subiu pra boca.
Então, a razão também subiu
Mas na boca não havia espaço pra ela.
A razão quis entrar, gritou alto.
O amor acordou,
O coração saiu.
E então discutiram e brigaram.
A boca, que já não sabia mais o que dizer, também brigou, pois haviam roubado suas palavras
Acabaram acusando o amor de tal crime.
Ele se defendeu - dizendo:
- As palavras saíram todas abraçadas, umas com as outras, em forma de estrofes.
Saíram todos à procura das palavras
Mas no meio do caminho,
O amor voltou a sonhar,
O coração voltou pra boca
E a razão se perdeu.
.
Feira livre
Tem gente perguntando o preço
Tem gente escolhendo por mim
Tem gente indo e vindo
E não vejo propósito em cada pessoa que anda e esbarra e compra e manda
É de manhã; é todo dia de manhã
"(o ar não circulou; se circulou, foi só pra esfriar)"
Caí no corredor Direito.
Ainda há tempo de ser astronauta?
Costuro indiferença.
Troco tempo por ócio,
Vendo minh'ansiedade,
Cada gesto, umadesordem.
Tem gente perguntando o preço,
Tem gente escolhendo por mim,
Tem gente indo e vindo.
Minha vida é uma feira.
(sem barraquinha de pastel)
Tem gente escolhendo por mim
Tem gente indo e vindo
E não vejo propósito em cada pessoa que anda e esbarra e compra e manda
É de manhã; é todo dia de manhã
"(o ar não circulou; se circulou, foi só pra esfriar)"
Caí no corredor Direito.
Ainda há tempo de ser astronauta?
Costuro indiferença.
Troco tempo por ócio,
Vendo minh'ansiedade,
Cada gesto, uma
Tem gente perguntando o preço,
Tem gente escolhendo por mim,
Tem gente indo e vindo.
Minha vida é uma feira.
(sem barraquinha de pastel)
Do cumprimento
Nunca encontro palavras p'ra parabenizar quem eu realmente gosto quando preciso. Não é timidez; o tímido não declara nada. Eu declaro, porém tropeçando. Minha indiferença à efusividade não permite tal gesto. A voz se prende, o abraço é curto e tenho a sensação de que não conseguirei falar nada que não tenha sido dito antes.
Minha admiração é cliché. Incrível como consigo gritar o ódio, humilhar (em voz alta) a indiferença e ter palavrão pra tudo o que é objeto. Mas o amor, só sai escrito. O amor não se grita; se sussurra.
O cumprimento não corresponde ao sentimento.
Sobre Junho
Em mês de dia frio
minh'alma
se parte
em duas
mascarando companhia
pra tapear o tempo.
Em mês de dia frio
mascarando companhia
pra tapear o tempo.
Em mês de dia frio
O destino se desculpa com mitoses.
Tropeço
"De repente do riso fez-se o pranto"
de repente o choro esgotou o canto
de quem cantava a boemia
sem saber se amou um dia.
E hão de gritar bipolaridade!
do sujeito que, de tarde,
com a ânsia de quem arde,
deu a noite por saudade.
"De repente, não mais que de repente",
com a pena de quem mente,
olharão para o sujeito
a repousar, só, em seu leito.
E hão de gritar vadiagem!
do boêmio que, de samba,
fez da vida corda bamba.
de repente o choro esgotou o canto
de quem cantava a boemia
sem saber se amou um dia.
E hão de gritar bipolaridade!
do sujeito que, de tarde,
com a ânsia de quem arde,
deu a noite por saudade.
"De repente, não mais que de repente",
com a pena de quem mente,
olharão para o sujeito
a repousar, só, em seu leito.
E hão de gritar vadiagem!
do boêmio que, de samba,
fez da vida corda bamba.
Deste hino
Coincidência me faz
crer em destino,
como um amigo imaginário
que nos diz o que fazer
e em quem colocamos a culpa
dos pecados
indesejáveis.
Se há destino em nossas vidas,
há livre-arbítrio nas marionetes.
crer em destino,
como um amigo imaginário
que nos diz o que fazer
e em quem colocamos a culpa
dos pecados
Se há destino em nossas vidas,
há livre-arbítrio nas marionetes.
"O destino escreve rápido e esconde a folha."
Meu partido
Meu partido se veste de Augusta
e dança ao som de "Light my Fire"
embriagado do que é vil
com um olhar quarenta e pouco
Meu partido aproveita da incerteza
e como um cego vê a beleza
da puta que pariu.
Meu partido tem:
a nitidez de um absurdo,
a lucidez de um viciado
e a malícia de um propósito.
Meu
partido
me
partiu.
e dança ao som de "Light my Fire"
embriagado do que é vil
com um olhar quarenta e pouco
Meu partido aproveita da incerteza
e como um cego vê a beleza
da puta que pariu.
Meu partido tem:
a nitidez de um absurdo,
a lucidez de um viciado
e a malícia de um propósito.
Meu
partido
me
partiu.
Esquina
Porque tudo me encara
e nada me explica.
Entrelinhas não me fazem bem.
Se a verdade é injusta,
minha dedução é ácida.
Talvez isso explique
a disparidade dos meus sentimentos
e o (in)conformismo das minhas conclusões.
e nada me explica.
Entrelinhas não me fazem bem.
Se a verdade é injusta,
minha dedução é ácida.
Talvez isso explique
a disparidade dos meus sentimentos
e o (in)conformismo das minhas conclusões.
[Exercício - GRAMÁTICA]
- Faça a análise morfológica das palavras na oração abaixo:
. "O sujeito morreu de amor."
Por falta de complemento
O núcleo do sujeito
Morreu como um objeto.
Indefinido, Pre(ju)dicado,
Sem ninguém adjunto,
Não houve oração
Que salvasse sua conjunção.
Pobre do sujeito
Noticiaram com seu feito
Num artigo de jornal
Que o verbo amar também faz mal.
____
. "O sujeito morreu de amor."
Por falta de complemento
O núcleo do sujeito
Morreu como um objeto.
Indefinido, Pre(ju)dicado,
Sem ninguém adjunto,
Não houve oração
Que salvasse sua conjunção.
Pobre do sujeito
Noticiaram com seu feito
Num artigo de jornal
Que o verbo amar também faz mal.
____
Mas que falta faz
um verbo
de ligação.
Da escolha dos romances
Não adianta comédia
Se rir sozinho não convence.
Se for pra fazer média,
O tempo ali fora nos vence.
Se rir sozinho não convence.
Se for pra fazer média,
O tempo ali fora nos vence.
Do amor e o engano
Amar é desviar-se do tempo; como quem se perde (erroneamente) em devaneios nos minutos finais de aula teórica pensando-se estar no plural.
Mal sabe quem ama que o presente é singular.
Mal sabe quem ama que amar é se enganar.
Mal sabe quem ama que amar é se enganar.
d.i.l.e.m.a
Entre o antes
E o outrora
Ou quando der saudade
Há sempre necessidade
De escrever
Qualquer versinho
Com metáfora
Ou Clichê
Prá mostrar a você
Que um recado
Não precisa ser falado
Prá ser de fato dado
-------------
Mas sou órfão de palavras
A letra é solta e a frase é presa
E os versos tratam as rimas
Como imigrantes
Pois elas não dizem nada
Que não tivesse
Sido dito antes
-------------
E então penso que hoje em dia
Não é fácil fazer poesia
Quando a mulher
Não é simples Maria
E o outrora
Ou quando der saudade
Há sempre necessidade
De escrever
Qualquer versinho
Com metáfora
Ou Clichê
Prá mostrar a você
Que um recado
Não precisa ser falado
Prá ser de fato dado
-------------
Mas sou órfão de palavras
A letra é solta e a frase é presa
E os versos tratam as rimas
Como imigrantes
Pois elas não dizem nada
Que não tivesse
Sido dito antes
-------------
E então penso que hoje em dia
Não é fácil fazer poesia
Quando a mulher
Não é simples Maria
Contrária
O que seria da poesia
Se não fosse escrita
Por alguém que
No amor se contraria?
"E eu descobri que não são os amores felizes que mexem o mundo, mas sim, os contrariados."
Gabriel García Márquez
Se não fosse escrita
Por alguém que
No amor se contraria?
"E eu descobri que não são os amores felizes que mexem o mundo, mas sim, os contrariados."
Gabriel García Márquez
Gravidade
Soprou por fim o ar
Que no frio se mistura
Em ansiedade e textura
Com a fumaça do vigésimo cigarro
Que tragava naquela noite
E a neve noturna que endurecia
Em negritude o ambiente
Cobria então os indícios
De um mistério de certezas
Olhou pois, para o alto
E indagou se a inexistência
Da gravidade
Faria com que não houvesse neve
Nem fumaça
Nem indícios
Pois nem tudo que cai
Se levanta
Que no frio se mistura
Em ansiedade e textura
Com a fumaça do vigésimo cigarro
Que tragava naquela noite
E a neve noturna que endurecia
Em negritude o ambiente
Cobria então os indícios
De um mistério de certezas
Olhou pois, para o alto
E indagou se a inexistência
Da gravidade
Faria com que não houvesse neve
Nem fumaça
Nem indícios
Pois nem tudo que cai
Se levanta
Como meses
E você caminhando como Dezembro
Não diz não pra sexta-feira
Nem pra beijo nem pra abraço.
Faz promessas pra um futuro mais incerto
Que o verde ali de fora.
Se Dezembro falasse, mentiria.
E eu vou caminhando como Julho
Tenso, esperançoso, mas sensato.
Não creio no teu êxtase de quem entrou de férias
Ou teve a senha sorteada.
Meus dias são contados.
O Papai Noel do Shopping não esconde minha ressaca
Depois da ceia e do cigarro comedido.
E como calendário
Nossa essência é sempre a mesma.
O formato é sempre o mesmo.
Só muda o necessário.
E como calendário
Dependemos dos dias
Pra dar sequência nesse plano
Mais incerto que o verde ali de fora.
Não diz não pra sexta-feira
Nem pra beijo nem pra abraço.
Faz promessas pra um futuro mais incerto
Que o verde ali de fora.
Se Dezembro falasse, mentiria.
E eu vou caminhando como Julho
Tenso, esperançoso, mas sensato.
Não creio no teu êxtase de quem entrou de férias
Ou teve a senha sorteada.
Meus dias são contados.
O Papai Noel do Shopping não esconde minha ressaca
Depois da ceia e do cigarro comedido.
E como calendário
Nossa essência é sempre a mesma.
O formato é sempre o mesmo.
Só muda o necessário.
E como calendário
Dependemos dos dias
Pra dar sequência nesse plano
Mais incerto que o verde ali de fora.
Se eu fosse fim de ano, não esperava carnaval no litoral.
Se eu fosse fim de ano, não esperava por uma tragada a menos.
Se eu fosse fim de ano, meu elogio sairia da boca pra dentro.
.
Ócio criativo II
O ócio faz lembrar
Do calor que no muro dilata
Pensamento solto é o que resta
Onze e cinquenta é o que devo
Se são horas ou reais
Discrepância da minha vida
E me convenço 'tanto faz'
Adio o que sou
O que devo do destino
O que devo no meu débito
O que cobro do meu Deus
O ócio faz lembrar
Do calor que no muro dilata
Do calor que no muro dilata
Pensamento solto é o que resta
Onze e cinquenta é o que devo
Se são horas ou reais
Discrepância da minha vida
E me convenço 'tanto faz'
Adio o que sou
O que devo do destino
O que devo no meu débito
O que cobro do meu Deus
O ócio faz lembrar
Do calor que no muro dilata
Tentativa
Se tudo mundo diz que te ama
Cada vez sem mais porquê
Como digo o mesmo, sem drama
Ou sem parecer clichê?
E você não acredita
Que de verdade eu vou tentando
Insistir na seriedade
De te amar brincando
Cada vez sem mais porquê
Como digo o mesmo, sem drama
Ou sem parecer clichê?
E você não acredita
Que de verdade eu vou tentando
Insistir na seriedade
De te amar brincando
"Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que eu insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como um palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da plateia que sorria."
Chaplin.
.Venda
É difícil hoje prever
Quando tudo te impede de ver
Quem nem todo poço é fundo
Que a rezadeira pode ser cética
Que tá próximo o fim do mundo
Que nem toda música dos Beatles é eclética
Introspecto
O tempo assume relatividade. Olhar não é o bastante. E contemplar não é a palavra certa. E meu tic nervoso de ficar piscando descontroladamente perde todo seu potencial, pois não me permito perder segundos do seu rosto. Segundos que demoram. O tempo assume relatividade.
"Eu quero ser exorcizado pela água benta desse olhar infindo
Que bom ser fotografado mas pelas retinas desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado pra acabar de vez com essa disritmia."
"Eu quero ser exorcizado pela água benta desse olhar infindo
Que bom ser fotografado mas pelas retinas desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado pra acabar de vez com essa disritmia."
Paródia pra Iaiá - pt.II
Se o óbvio é útópico
Não acontece de verdade.
Por isso eu deixo
(faço que) não quero mais
Céu, parque, testemunhos
E você (não) volta atrás
Deixa ser como 'está sendo'
Que mesmo prevendo
Ou me enganando
No lugar vou tudo colocando.
(pré)destinado
Cresceu na gauche margem
Com bebida e sacanagemTropeçando no degrau
Da moral angelical
Das nuvens soprava a vela
Tocava arpa desafinado
Pintor sem tinta nem tela
Querubim sem cabelo enrolado
Foi julgado como um réu
No tribunal do céu
Caloteiro inquilino
No purgatório divino
Entre o pulo e o tombo
Entre a faca e o corte
Foi o o elo perdido
Foi a falta de sorte
Nem tanto ao mar
Com tanta coisa em comum me perdi no teu perfil. Com tanta coisa em comum vi em você uma metade paralela. Mas talvez eu devesse perceber "que nem sempre os olhos resolvem tudo."
O que me restava então? Idealizar o oposto? Concluir que duas metades perfeitamente iguais não podem se encaixar? É, "a resposta às vezes trai." Talvez nossas metades sejam como ímãs. Talvez eu devesse lembrar que pólos iguais nunca se atraem.
Na tua semelhança, o que prevalece é a diferença.
O que me restava então? Idealizar o oposto? Concluir que duas metades perfeitamente iguais não podem se encaixar? É, "a resposta às vezes trai." Talvez nossas metades sejam como ímãs. Talvez eu devesse lembrar que pólos iguais nunca se atraem.
Na tua semelhança, o que prevalece é a diferença.
PARÓDIA pra Iaiá
Mona Lisa
Boba. No sentido cedo e subjetivo da palavra. Boba ao ponto de não resolver equações sobre sonhos e platônicos com igualdades óbvias. Boba do tipo que não reconhece a própria beleza. Bobeando, não interpreto sua bobeira irracional. Se faz de boba como quem quebra grafites de lapiseira; e gosto de te chamar de boba tanto quanto gosto do cheiro da gasolina. Metáforas a parte, sabe que foi tudo adjetivação. E respondendo sua pergunta... sonho com tua bobeira materializada.
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