Meu peito é oco. Tenho o costume de andar com o coração na boca. Por isso nunca tenho palavras. Posso, no máximo, emprestá-las de você. Todas as palavras são suas e eu só pronuncio. Nunca em voz alta pois o amor tem o sono leve; ele não dorme, só
sonha.
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À procura do
coração,
A
razão bateu na porta do peito.
O
coração não estava, pois subiu pra boca.
Então, a
razão também subiu
Mas na boca não havia espaço pra ela.
A
razão quis entrar, gritou alto.
O
amor acordou,
O
coração saiu.
E então discutiram e brigaram.
A boca, que já não sabia mais o que dizer, também brigou, pois haviam roubado suas
palavras
Acabaram acusando o
amor de tal crime.
Ele se defendeu - dizendo:
- As palavras saíram todas abraçadas, umas com as outras, em forma de estrofes.
Saíram todos à procura das
palavras
Mas no meio do caminho,
O
amor voltou a sonhar,
O
coração voltou pra boca
E a
razão se perdeu.
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